“Como não se entendessem, sinha Vitória aludira, bastante azeda, ao dinheiro gasto pelo marido na feira, com jogo e cachaça. Ressentido, Fabiano condenara os sapatos de verniz que ela usava nas festas, caros e inúteis. Calçada naquilo, trôpega, mexia-se como um papagaio, era ridícula. Sinha Vitória ofendera-se gravemente com a comparação, e se não fosse o respeito que Fabiano lhe inspirava, teria despropositado. Efetivamente os sapatos apertavam-lhe os dedos, faziam-lhe calos. Equilibrava-se mal, tropeçava, manquejava, trepada nos saltos de meio palmo. Devia ser ridícula, mas a opinião de Fabiano entristecera-a muito.
(…)
A referência aos sapatos abrira-lhe uma ferida – e a viagem reaparecera.
(…)
Para que Fabiano fora despertar-lhe aquela recordação?”
Mamãe tem uma paixão única pelo natal, tão única que eu acabei quase nascendo em plena data, se não fossem por dez horas passadas. Aqui em casa a árvore começa a ser montada no início de novembro e a ceia, ainda que bem restrita, apenas para cinco pessoas, é o momento mais planejado do ano. É tradição anual iniciar os passeios pelos shoppings paulistanos para nos deslumbrarmos com a decoração – e, diga-se de passagem, para eu me deslumbrar com a carinha das crianças sentadas no colo do Papai Noel. Se tem uma coisa que de fato me encata é essa aura que o natal impele em tudo. Não venha me dizer que essa data se tornou apenas em consumismo exacerbado, que ninguém mais se lembra do nascimento de Cristo. Isso depende apenas de você. Se os outros não acreditam, problema deles, cada um vê a data como quer. Como resultado desse meu ânimo pelo natal, fomos eu e João assistir Os Fantasmas de Scrooge… E, lhes digo, não em um cinema comum, mas sim em um cinema 3D! Fico extasiada só de lembrar. É uma sensação incrível o que aqueles oclinhos podem nos prover. Parece que as imagens ficam por pouco de nossos narizes e, em alguns momentos, eu ia para trás, como que para me proteger da neve que caía.
Scrooge é um velhinho de nariz pontudo e caído, bastante mau-humorado, criado por Charles Dickens, que não acredita no natal, diferente de todos à sua volta. Na véspera da data, três espíritos o visitam, monstrando-lhe e representando o passado, o presente e o futuro.
Vale assistir, é um conto bonito, com reflexões propostas a todas as idades, ainda que seja uma animação. E vale mais ainda assistir em 3D, eu realmente achei uma experiência ótima.
Não adianta pedir desculpas sobre a ausência. É inútil lutar contra o relógio, já que sou escrava do mesmo. Esse senhorzinho me tira o sono, acaba com o meu corpo e me transforma em pó. Estou, realmente, cansada. O feriado da semana passada de nada me rendeu, sobre o aspecto do descanso. O caso está tão complicado que é como se meu corpo precisasse de hibernação, até mesmo em pleno sol que banha a capital paulista.
Falando em sol… Ah, Florianópolis…
Queria postar (quase) todas as fotos pra vocês – afinal, foram tiradas, somente com a minha câmera, 860 fotos – só para dar o gostinho do quão incrível é aquela ilha. É uma beleza estonteante deixada por Deus. Pra quem puder – e até pra quem não puder – vá para lá. Muito sol fazendo as muitas praias maravilhosas (Joaquina [foto 5], Mole, Canasvieiras, Brava, Matadeiros [foto 1 e 3], Ilha de Anhatomirim [fotos 2 e 4]) brilharem.
A estadia foi na praia do Campeche, local que nem cheguei a conhecer. Apesar da ilha ser pequena é impossível visitar as principais praias em apenas uma semana. É a minha desculpa para voltar.
Acima citei sobre a Ilha de Anatomirim (pequena ilha do Diabo, em latim). Não fica propriamente em Florianópolis, mas sim em Governador Celso Ramos. O passeio até a ilha é feito por uma escuna (foto ao lado), melhor programa feito na viagem. Lembrando de tudo para tentar contar o melhor me deixa boquiaberta sempre. Dei-me conta de que as belezas naturais são de embasbacar qualquer ser humano. A gente se sente ínfimo diante de tanta perfeição.
O espírito se recompõe de tal forma diante de tudo isso que as desavenças, o mau-humor, o estresse e tudo o mais proveniente de convívios desgastados e da correria cotidiana, são deixados para trás. Foi quando nos deparamos que aquilo era uma viagem de formatura e que, formar-se significa sim um adeus. O chororô atingiu o ápice na última noite, assim como as palavras trocadas, os sentimentos vividos naquele instante a respeito da importância de todas aquelas pessoas. De qualquer forma, é bastante interessante observar como a rotina desgasta tudo. Se, por um lado, essas amizades foram construídas embasadas no dia-a-dia, por outro foram, muitas vezes, conturbadas pela mesma razão e, sendo assim, acaba sendo engraçado ver a discrepância entre as palavras trocadas em um dia e a forma de agir no dia seguinte, quando já não estamos mais em um paraíso perdido no meio do mar.
Fica a dica: viagem para Florianópolis. Viagem mesmo. É de deixar qualquer um boquiaberto!
Deixar de vir aqui durante todo esse tempo para liberar todas as minhas lamúrias, meus sorrisos e minhas lágrimas acaba acumulando tudo, misturando o que não deve ser misturado. Assim, vai sair tudo embolado…
É como se eu buscasse o que escrever a cada momento do meu dia, sempre começando assim: “Estou cansada!”. Por causa disso, tenho a sensação de que todos vocês já sabem disso, como se eu ficasse repetindo a todo momento essa expressão, mas, sabe, é como se somente isso fosse suficiente para descrever esse desgaste todo. É o estar desgostosa com várias coisas, o enxergar sempre a mesma coisa, é o brigar pelos mesmos motivos ou, pior, pela mesma pessoa. Chegou ao tanto que agora nem briga sai. Agora é só o comentar, a forma de olhar e o silêncio. E ah, o pensamento “Outra vez?!” acompanhado de uma boca que busca a expressão entre o desgosto e a decepção.
O exagero é da minha parte, é bem verdade, mas ainda assim é algo inadmissível. Se antes isso resultava em briga, agora resulta em um balançar de cabeça negativo, que se acumula… Não sei até quando mais. De verdade, não sei. Não nasci pra isso, não sou assim, nunca tive que passar por isso e, sinceramente, estou indo além da minha cota.
Do que adiantam os momentos bons se eles sempre são superados, TODOS OS DIAS, por alguma coisa?
Agora eu vou pra Florianópolis, recuperar a minha energia, deliberar o estresse e tentar novamente, recarregar a paciência, o espírito do “vamos lá, vale a pena”, antes que isso se esgote de vez.
Trago as fotos semana que vem. Embarco hoje, e seja o que Deus quiser. Muito sol, muito mar, muita praia, muita alegria.
Time is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change the less you feel
We’ll crucify the insincere tonight
We’ll make things right, we’ll feel it all tonight
We’ll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you…
Tonight
Procuro a Solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
pensamento sem razão
Procuro esconderijo
encontro um novo abrigo
como a arte do seu jeito
e tudo faz sentido
calma pra contar nos dedos
beijo pra ficar aqui
teto para desabar
você para construir
Sempre quis ser bailarina. Acho que é a perfeição máxima atingida pelo corpo humano. Nunca falei nada pra mamãe, pois ela nunca teve condições financeiras de bancar um curso que pudesse me tornar, realmente, uma bailarina. Até fiz aquele estillo ballet jazz quando era pequena, na escolinha que oferecia ballet e judô como atividades extra-curriculares. Era uma bailarina judoca. Saí da escola, saí do ballet – porque do judô já tinha saído com medo de me machucar. Parei de pensar na sapatilha de gesso e no tutu, mas hoje penso que adoraria ser, realmente, uma dançarina.
Sempre quis saber cantar. Sair com os amigos e ir em um karaoke bar pra poder me esbaldar.
Sempre quis saber tocar piano. Vovó até me deu um teclado quando eu tinha uns sete, oito anos. Minha mãe ficou furiosa, pois a gente não tinha nem lugar pra por em casa e nem dinheiro pra pagar aquele trambolho que ocupava lugar no meu quarto. Ele está em cima do armário, hoje.
Ainda quero tudo isso, e quero jogar tênis, fazer natação, krav magá (uma luta israelita haha), fazer curso de gastronomia, aprender a tocar um instrumento de cordas, um baixo talvez…
E não quero deixar de querer e nem de tentar fazer. Ficou estigmado que todo esse tipo de aprendizado deve acontecer por volta da adolescência e, se você não pode, fica sem. Uma grande bobagem. Vou aprender a tocar baixo com trinta, quarenta ou sessenta anos. Não vou ter morrido, ué. Não vale a pena deixar pra trás os seus sonhos só porque você não é mais tão novinho quanto “deveria” ser para realizá-los.
Hoje passei o dia em mais uma sessão de “prove seus conhecimentos gerais que vão além de conhecimentos gerais” – visto que saber fórmulas de física não pode ser considerado conhecimentos gerais e sim conhecimentos específicos. Hoje foi da Fuvest e sabe, concluí que as provas do ENEM são mais legais. Isso, claro, porque meu desempenho é melhor… E porque o ENEM, sim, é uma prova de conhecimentos gerais.
Enfim.
Hoje foi dia de provas e gabaritos, mas ontem não. Ontem foi dia de ser feliz, de andar na rua saltitante, de sentir o vento e olhar as bolhas de sabão em plena Avenida Paulista. Ah, não nego, sou uma eterna apaixonada por São Paulo. E por você também, meu caro, ainda mais quando seu cheiro fica na minha pele como agora. (é, fiz a prova com ele hehe). Amantes foi o filme escolhido. Bem recebido pela crítica, com uma atuação excelente de Gwyneth Paltrow, o astro de Johnny e June rouba a cena com closes incríveis que te levam do êxtase ao nojo, com atitudes que repugnam o telespectador. Não sei a sala de cinema em que você vai – pois deve – assistir o filme, mas a que eu fui – Reserva Cultural – conseguiu capturar os detalhes da trilha sonora que logo de cara, com um barulho de água, faz do filme a única coisa existente em seu pensamento.
Não é, de forma alguma, o melhor filme que já vi, mas é daqueles que fazem do ingresso um bom investimento.
Não vai ter sol pra gente hoje. Uma pena. Vou ater-me ao nada, é melhor do que à falta de perspicácia de uns para com outros.
Fui ver Dona Carmelia, dona dos sóis da minha vida de criança.
Editado: até tu Carmelia, deixou-me na mão. Não estava em casa, tinha ido à igreja.
Ela abriu toda a janela de seu quarto. Em cima de seu salto, olhou para as poças que aumentavam conforme a chuva passava. Debruçou-se sobre a janela e ficou a beijar as gotas, sem pretensão nenhuma de se molhar, e sentiu a brisa no rosto, buscando o mais nobre dos sentimentos. Tudo isso ouvindo a última carta de Gerry à Holly.
Dear Holly, I don’t have much time. I don’t mean literally, I mean you’re out buying ice cream and you’ll be home soon. But I have the feeling this is the last letter because there’s only one thing left to tell you. And it isn’t to go down memory lane or make you buy a lamp but you can take care of yourself without any help of me. It’s to tell you how much you move me, how you changed me. You make me a man by loving me, Holly. And for that I am eternally grateful. Literally. If you can promise anything, promise me that whenever you’re sad or unsure or you’ll lose complete faith that you’ll try to see yourself through my eyes. Thank you for the honor for being my wife. I’m a man with no regrets. How lucky am I? You made my life, Holly. And I’m just one chapter in yours. There’ll be more. I promise. So here it comes, the big one: don’t be afraid to fall in love again. Watch out for that signal. On my vision you know it ends.
P.S.: I will always love you PS I Love You
Lisbela, ao contrário da flor de lis, não desperta curiosidade a respeito de sua origem, mas em compensação é impossível precisar o seu exato ser. Pode ser Bela, como Lis, mas pode ser só Gabriella e aí é cravo e canela.