Descobrimos nossas vontades próprias ainda em nossa infância, quando algo nos é negado pelos nossos pais. Aguardamos a maturidade como resultado da vivência diária para então termos capacidade e responsabilidade de arcarmos com nossas decisões. Em uma relação comparativa entre as crianças e o Brasil, será que nosso país está apto para decidir a legalização das drogas?
Protagonista de questões de segurança pública, o narcotráfico é responsável diariamente pela morte de inocentes. Argumento dos que defendem a legalização das drogas, a descriminalização exigiria um rígido controle governamental sobre os pontos de venda e, supostamente, eliminaria o mercado negro.
Contudo, é necessário ressaltar que a legalização, apesar de representar maior organização, significaria também a cobrança de impostos sobre um vício descontrolado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou, em 1991, a utilização da Cannabis Sativa para fins medicinais, evidenciando que, do ponto de vista médico, o uso de drogas deve ser controlado por especialistas da área.
Esse controle, entretanto, não deve ser arbitrário. Ao longo do ano de 2010, duas “marchas da maconha” – passeatas à favor da liberalização da erva – foram proibidas sob determinação do judiciário de São Paulo, que alegava apologia à droga no conteúdo reinvindicado. A proibição de qualquer posicionamento em uma discussão representa um passo para trás na conscientização. Permitir a expressão de diversos pontos de vista não significa ser condescendente com todas as opiniões, mas demonstra incentivo aos debates, responsáveis por questionar o público que os assiste.
Dessa forma, a maturidade imprescindível ao Brasil para se concluir a questão da liberalização das drogas será fruto de longas discussões que sucitem aspectos psicológicos, sócio-econômicos, médicos e outros. Não podemos aceitar mordaças. Estas representam um controle falso da situação. Enquanto a educação proveniente da troca de ideias não abrange todo o país, continuaremos inaptos para discutir a problemática das drogas, que dirá convivermos com a liberalização das mesmas.
Arquivo para Junho, 2010
As pernas que ainda não temos
Gatuno de ônibus
Quem anda sempre de ônibus já se acostumou com pessoas bondosas e generosas que se oferecem para carregar bolsas e mochilas de quem está em pé. É um convite irresistível, principalmente quando o ônibus está lotado e a mochila está pesada.
Pego ônibus rotineiramente há pouco mais de três anos e nunca tive problemas com isso. No começo era bem preocupada, não tirava os olhos de cima da pessoa que estava segurando a bolsa. O tempo foi passando, nada nunca aconteceu e eu acabei ficando mais distraída. Foi o suficiente pro roubo acontecer.
O cara era até bem afeiçoado, estava com um celular daqueles com tv e era aficcionado pela limpeza da telinha da mesma. Filhodaputa, pegou minha carteira. Só fui me dar conta muito tempo depois de ter saído do ônibus. Nada mais podia ser feito. Que raiva!
Não desgrudem os olhos da pessoa que for gentil. Ela pode ser um gatuno safado.