Um ônibus lotado, a catraca, você e mais um aglomerado de pessoas desejando entrar no mesmo ônibus lotado. Você, na catraca, não sabe o que faz. Começa a olhar para as pessoas como quem diz: “Não dá pra passar!” até que se depara com aquela menina que te adicionou no Orkut há uns cinco ou seis anos, dizendo que vocês duas estudaram na mesma escola, mas em períodos diferentes.
Em um momento de divagação, você se pergunta se deve comprimentá-la. Logo após esse questionamento, surge a dúvida: Será que ela lembra de mim? Sem que ocorra uma troca de olhares, você começa a relembrar as fotos que você fuçou no Orkut dela na semana passada – ela é daquelas que possuem mil álbuns com mil e uma fotos que a mostram em todos os lugares, seja sozinha, seja em grupo, seja como for. Sem demora, todas as histórias sobre a loira começam a vir na sua cabeça, mesmo que você não fale com ela há décadas – isso se já conversou com ela um dia.
Após um segundo de rápida, porém vasta, reflexão, você conclui que vocês duas não se conhecem, nunca se conheceram. Simplesmente partilham uma rede de relacionamentos. Inexistentes, em parte, é claro. Aí, você passa a catraca porque ela começa a ficar impaciente, olhando meio sem jeito… pra catraca, e não pra você. Acho que ela de fato nem sabe quem eu sou. O cúmulo do Orkut.
Arquivo para conclusões de banheiro
O cúmulo do Orkut
Crença conveniente
Em uma mesa de bar, afim de evitar brigas, sempre há aquele lema: “Religião, futebol e política não se discutem”. Como eu adoro uma discussão calorosa, daquelas que agregam muito na formação e no conhecimento de uma pessoa, peguei-me pensando sobre religião no banho. É que eu não sou daquelas que cantam… Então fico pensando mesmo.
Antigamente, costumava frequentar igrejas evangélicas com a minha avó. Era pequena e ia no embalo. Eu gostava da escolhinha dominical, de ficar cuidando das criancinhas mais novas – eu era a criança mais velha, era legal. Antes disso ainda, nós costumávamos frequentar igrejas protestantes americanas, mais especificamente a Batista Esperança. Também era legal. Era mais organizada, tinha berçário, escolhinha dominical de acordo com a idade, grupos bíblicos em inglês, etc.
Acho que, como consequência dessa base religiosa que a minha família me trouxe, ainda sou ligada com esses assuntos. Oro todos os dias antes de sair de casa, agradeço a Deus pelas coisas alcançadas e outras coisas. Não sou ferrenha, até gostaria de ler mais a Bíblia – acho que é um hábito a ser desenvolvido – mas sou daquelas que questionam as pregações.
Sempre ouvimos que a religião se assenta melhor em comunidades mais pobres, em que o esclarecimento é escasso. A religião é um guia. A fé é necessária para manter a esperança de que a vida vai melhorar. De uma certa forma, as pessoas acabam aceitando de cabeça baixa o que lhes é pregado e, o que é falado vira um dogma. A religião adotada pela pessoa vira, portanto, a verdade máxima. Todos que não a seguem, são errados… e não vão para o céu.
Não enxergo assim.
Minha mãe é um pouco exotérica e vai em busca do que lhe completa. Faz as orações dela, acredita em Deus, mas não segue uma religião por completo. Provavelmente, essa forma de crença dela me acarretou essa coisa de não entender como há uma única verdade. Não é uma crítica àqueles que acreditam de olhos fechados em algo. É que simplesmente não entendo como pode haver uma verdade absoluta em um mundo repleto de diferenças culturais. É bom frizar que me refiro à diferenças culturais, apenas.
Comentando com um amigo sobre não acreditar que há uma única verdade e que, portanto, cada religião tem um pouco de verdade, fui questionada sobre o conflito existente entre as religiões e que isso negaria a verdade da outra. É verdade… Mas pensar também que as três maiores religiões do mundo são provenientes de uma única acaba por acabar com esse argumento. As distorções que ocorrem com o fanatismo transformam essas três religiões em algo tão distinto mas que, no final das contas, são tão próximas. Todos temos um Deus… ou vários. A questão é que todos acreditamos em algo maior. E não há como falar que o do próximo está errado. Como saberemos? Como sei que o meu é certo?
Soa muito fácil, entretanto, dizer que há uma verdade em cada religião. É quase como uma demagogia e é, até mesmo, uma forma mais digestiva de não se deparar com conflitos internos e, também, não ter que seguir uma ‘metodologia’. Assim, fica tranquilo ‘pegar’ de cada religião o que me convém. É… é verdade. É extremamente conveniente. Mas, ainda assim, acho que é muito mais gostoso acreditar por acreditar, porque lhe convém, porque lhe agrada. Não há como acreditar em algo que lhe causa conflitos. Claro, com exceção do amor. Ah, mas aí são outras questões…
De fato, é complicado.
Independência financeira como sustento de dilemas
O tamanho do leque de escolhas de um cidadão na atualidade é proporcional à consistência de seu suporte financeiro. Dessa forma, a liberdade e a independência de um ser humano caminham de mãos dadas com o ideal capitalista, em que o acúmulo de lucro é almejado. O dilema, resultado da variedade de opções, existe, portanto, quando o dinheiro pode sustentá-lo.
Os momentos marcantes que permeiam uma vida são precedidos de escolhas decisivas que, entretanto, nem sempre foram marcadas pela dúvida. O migrante que vai do sertão a São Paulo, maior centro econômico da América Latina, busca a melhora da condição de sua família, buscando prover-lhe educação, saúde e alimento. Assim, a decisão é imposta, uma vez que não há outra saída cabível dentre suas possibilidades escassas.
O estudante de classe média alta, por sua vez, atravessa o dilema da escolha da profissão. Há a condição monetária para sustentar inúmeras possibilidades, tornando tal decisão plausível de dúvidas. Além disso, somam-se estas expectativas que aumentam a indecisão.
A busca por escolhas está, portanto, subentendida no trabalho diário, declarado com a finalidade de sustento, isto é, como a própria palavra declara, a ideia de sustentar possibilidades. A formação de metas específicas torna a angústia da escolha menor, pois foca-se em um objetivo e demonstra o domínio que temos sobre nós mesmos. A partir desse controle, somos capazes de questionar e de sermos questionados pelo próximo e, assim, constituir uma população cada vez mais autônoma perante suas escolhas.
O let it go que vai mas fica (?)
Foi a semana mais longa em toda a minha história. Não apenas pelo fato de que as aulas engoliram o meu sábado e nem pelo fato de que, em breve, estarei sendo sugada pela álgebra dos polinômios, mas também pelas situações.
Segunda-feira foi o pior dia que o universo poderia trazer pra mim. Olhando para trás, acho até que lidei muito bem. O primeiro dia de aula, ao contrário de posts no twitter, não foi até que bom. Foi bem ruim… e já passou.
Terça-feira foi ficando cada vez mais chocante na medida em que tudo do dia anterior era confirmado. Só que aí já foi bem mais complicado lidar com a situação. Afoguei-me nas lágrimas que o sono da tarde lutou contra e adormeci.
Quarta-feira não foi diferente. Entreguei-me ao choro na frente de todos porque foi inevitável. Arranquei até atenção especial de professores.
Resolvi ligar o “let it go” e quinta-feira foi melhor. Diferentemente do antigo “whatever”, passei a tentar mudar a situação… E acho que consegui.
Depois de tantas lágrimas e do “não estou acreditando nisso”, ficou melhor.
Definitivamente entendi que a filosofia do “whatever” não foi feita pra mim, uma capricorniana que se importa com tudo – e não esquece de nada. O jeito mesmo é ir, deixar passar mas sem deixar pra lá.
(in) Completa
Pare um pouco e comece a analisar todos os seus gostos: seus filmes prediletos, a música que você não se cansa de ouvir, o livro que mais adora, o seriado que você termina de ver em menos de uma semana. Todos, de alguma forma, completam nossos sentimentos. Aquelas vontades escondidas, os sentimentos que sentimos falta, as emoções que não fazem parte do nosso dia-a-dia por causa de uma vidinha sem graça, sem grandes acontecimentos, tudo encainxando-se em uma rotina da classe média de uma cidade grande.
Claramente sinto falta dos meus amores quando choro em filmes; faço caretas e fico com o coração na mão quando compreendo, de alguma forma, o sentimento do personagem; quando pulo com a música ou quando encosto o queixo no peito, somente para ouvir aquela letra que diz tudo.
A Upper East Society que só se faz presente em minha vida nos seriados ou a Amélie, que sonha, mas sonha em Paris.
Olhar para a tela, ouvir a música ou ler o livro de forma a esquecer-se do mundo, de forma a partilhar do mundo dos personagens sem ao menos precisar fechar os olhos.
O ser humano completa-se de forma curiosa. O entretenimento, de alguma forma, nada mais é do que a busca por aquilo que falta.
Os últimos vícios são Gossip Girl, Duffy e, claro, aqueles filmes como O Diário de Bridget Jones ou O Diabo Veste Prada, quando estão passando na tv. Não há como negar… É visível a ligação entre todos os “temas”. Quais são suas conclusões?
conclusões de banheiro
Ainda tenho minhas dúvidas a respeito do quão bom e do quão ruim um sentimento de ciúme pode ser. De qualquer forma, a gente sente… E, diante das minhas conclusões ocorridas dentro de um banho longo e quente, o ciúme relacionado à uma mesma pessoa pode ser decorrente de duas coisas diferentes:
Imaginemos João. Maria aproxima-se dele e sentimos ciúmes de Maria. Agora, imaginemos João novamente mas perto de Ana. Neste caso, sentimos ciúmes de João.
Sendo assim, concluímos que o ciúmes, ainda que relacionado à uma mesma pessoa, vem de diversas formas.
Alguma tese que complemente essa?
Conclusões de banheiro: seja no trono, no banho, enquanto seca o cabelo ou enquanto tira a sobrancelha, são sempre bem vindas.
(nomes utilizados sem intenção nenhuma, entretanto, vieram a calhar)