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No pain no gain

The relentless climb, the pain and anguish of taking it to the next level, nobody takes pictures of that. Nobody wants to remember. We just want to remember the view from the top. The breath taking moment at the edge of the world.  That’s what  keeps us climbing. And it’s worth the pain. That’s the crazy part. It’s worth anything.

Greys Anatomy 6×17

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Cortázar e as diferentes realidades

- Que estranho! – exclamou Ronald. – De qualquer forma, seria estúpido negar uma realidade, embora sem saber o que é. O eixo do sobe e desce, digamos. Como é possível que esse eixo ainda não tenha servido para compreender o que acontece nas extremidades? Desde o homem de Neanderthal…
- Você está usando palavras – comentou Oliveira, apoiando-se melhor em Etienne. – Todos vocês gostam muito que alguém tire as palavras do armário e as faça passar pelo quarto. Realidade, homem de Neanderthal, vejam como brincam, como entram pelos nossos ouvidos e se lançam pelos tobogãs!
- É verdade – disse roucamente Etienne. – É por isso que prefiro os meus pigmentos, fico mais seguro.
- Seguro de quê?
- Do seu efeito.
- Do seu efeito sobre você, está bem, mas não sobre a porteira de Ronald. As suas cores não são mais seguras do que as minhas palavras, meu velho.
- Mas minhas cores, pelo menos, não pretendem explicar nada.
- E você se conforma com o fato de não existir uma explicação?
- Não – respondeu Etienne -, mas ao mesmo tempo vou fazendo coisas que me tiram um pouco o gosto ruim do vazio. E essa é, no fundo, a melhor definição do homo sapiens.
- Não é uma definição, mas um consolo – disse Gregorovious, suspirando. – Na realidade, somos como as comédias quando se chega ao teatro no segundo ato. É tudo muito bonito, mas não compreendemos nada. Os atores falam e atuam não se sabe por quê, com que finalidade. Projetamos neles nossa própria ignorância; e eles nos aparecem como uns loucos que entram e saem muito convencidos. Ademais, isto já foi dito por Shakespeare; e, se não disse, tinha obrigação de dizer.
- Eu acho que ele disse – falou a Maga.
- Sim, disse mesmo – confirmou Babs.
(…)
- Vamos, deixem a poesia para outra ocasião. Também acho que não podemos confiar nas palavras, mas as palavras, na verdade, vêm depois de outra coisa, do fato de estarmos aqui, esta noite, sentados em volta de uma lampadazinha. (…)
- Não precisamos de nenhuma palavra para sentir, para saber que estou aqui – insistiu Ronald. – É a isso que chamo de realidade. Embora não seja mais do que isso.
- Perfeito – concordou Oliveira. – Só que esta realidade não é nenhuma garantia nem para você nem para ninguém, a não ser que a transforme em conceito, e depois em convenção, em esquema útil. O simples fato de você estar à minha esquerda e eu à sua direita já faz da realidade pelo menos duas realidades; e note que não quero ir ao fundo e lembrar que você e eu somos dois entes absolutamente sem comunicação entre si, a não ser por meio dos sentidos e da palavra, coisas de que devemos desconfiar se formos gente séria.
- Estamos aqui os dois – insistiu Ronald. – À direita ou à esquerda, pouco importa. Ambos vemos Babs, todos escutam o que estou dizendo.
- Mas esses exemplos são para meninos de calça curta, meu filho – lamentou-se Gregorovious. – Horacio tem razão, você já não pode aceitar assim sem mais nem menos aquilo que pensa ser a realidade. O máximo que pode fazer é dizer “eu sou”; isso não se pode negar sem evidente escândalo. O que falta é o ergo; e o que vem depois do ergo, é claro.
- Não transforme as coisas numa questão de escolhas – disse Oliveira. – Continuemos numa conversa de amadores, já que é isso que somos. Fiquemos naquilo que Ronald chama comovedoramente de realidade, e que pensa ser apenas uma. Você ainda pensa que é apenas uma, Ronald?
- Sim, embora conceda que a minha maneira de sentir ou entender essa realidade é diferente da de Babs e que a realidade de Babs difere da de Ossip, e assim sucessivamente. Todavida, isso é como as muitas opiniões diferentes que existem sobre a Gioconda ou sobre a salada de alface. A realidade está aí e nós estamos nela, compreendendo-a à nossa maneira, mas dentro dela.
- A única coisa que conta é isso de a entendermos à nossa maneira – retorquiu Oliveira. – Você pensa que existe uma realidade postulável pelo fato de você e eu estarmos falando neste quarto e nesta noite, e também porque você e eu sabemos que dentro de mais ou menos uma hora vai acontecer aqui determinada coisa. Isto tudo dá a você uma grande segurança ontológica, acredito; você se sente muito seguro de si, bem plantado em si mesmo e em tudo o que rodeia. Todavia, se ao mesmo tempo você pudesse assistir a essa realidade do meu ponto de vista, ou do de Babs, se você ganhasse uma ubiquidade, entende, e pudesse estar nesse mesmo instante, neste mesmo quarto, na posição em que eu me encongtro e com tudo o que sou e o que eu tenho sido, e também com tudo o que é e o que temsido Babs, talvez acabasse por entender que seu egocentrismo barato não lhe fornece qualquer realidade válida. Só lhe dá uma crença fundada no terror, uma necessidade de afirmar aquilo que o rodeia para não cair dentro do funil e sair pelo outro lado, ninguém sabe onde.
- Somos muito diferentes – disse Ronald. – Sei perfeitamente; mas a verdade é que nos encontramos em alguns pontos exteriores a nós mesmos. Você e eu, por exemplo, estamos olhando para este abajur. É bem possível que não vejamos a mesma coisa, mas também não podemos estar certos de que não vemos a mesma coisa. Há um abajur aí, que diabo!

O Jogo da Amarelinha, Julio Cortázar – trechos do capítulo 28

E pra você? Qual é a sua realidade?

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O que Graciliano Ramos escreveu de nós

“Como não se entendessem, sinha Vitória aludira, bastante azeda, ao dinheiro gasto pelo marido na feira, com jogo e cachaça. Ressentido, Fabiano condenara os sapatos de verniz que ela usava nas festas, caros e inúteis. Calçada naquilo, trôpega, mexia-se como um papagaio, era ridícula. Sinha Vitória ofendera-se gravemente com a comparação, e se não fosse o respeito que Fabiano lhe inspirava, teria despropositado. Efetivamente os sapatos apertavam-lhe os dedos, faziam-lhe calos. Equilibrava-se mal, tropeçava, manquejava, trepada nos saltos de meio palmo. Devia ser ridícula, mas a opinião de Fabiano entristecera-a muito.
(…)
A referência aos sapatos abrira-lhe uma ferida – e a viagem reaparecera.
(…)
Para que Fabiano fora despertar-lhe aquela recordação?”

Vidas Secas – Graciliano Ramos (cap. Sinha Vitória)

É mais ou menos por esse caminho.

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PS: Guess what?!

Ela abriu toda a janela de seu quarto. Em cima de seu salto, olhou para as poças que aumentavam conforme a chuva passava. Debruçou-se sobre a janela e ficou a beijar as gotas, sem pretensão nenhuma de se molhar, e sentiu a brisa no rosto, buscando o mais nobre dos sentimentos. Tudo isso ouvindo a última carta de Gerry à Holly.

Dear Holly, I don’t have much time. I don’t mean literally, I mean you’re out buying ice cream and you’ll be home soon. But I have the feeling this is the last letter because there’s only one thing left to tell you. And it isn’t to go down memory lane or make you buy a lamp but you can take care of yourself without any help of me. It’s to tell you how much you move me, how you changed me. You make me a man by loving me, Holly. And for that I am eternally grateful. Literally. If you can promise anything, promise me that whenever you’re sad or unsure or you’ll lose complete faith that you’ll try to see yourself through my eyes. Thank you for the honor for being my wife. I’m a man with no regrets. How lucky am I? You made my life, Holly. And I’m just one chapter in yours. There’ll be more. I promise. So here it comes, the big one: don’t be afraid to fall in love again. Watch out for that signal. On my vision you know it ends.
P.S.: I will always love you
PS I Love You

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Eu gosto da tua boca

euejucortadablog

eu vou te dizer tudo o que você queria que eu dissesse, mas não dessa maneira normal como fariam os 6,8 bilhões de habitantes do planeta. não, porque eu não sou nem um pouco igual a eles, porque eles não são nem um pouco de mim. mas também por uma fraqueza anormal e dilacerante que é mais um medo de não ser correspondida ou entendida ou ser ridícula como fui 99,9% das vezes. eu vou te dizer como você mexe comigo sem saber – ou sabe, o que se torna ainda um medo maior porque saber é manipular. você sabe ou não sabe como você me faz tremer de medo e te procurar por todo lado, porque é sim um medo estranho e diferente que alivia outro – o medo de te ter vindo cada vez mais perto do coração, o medo de que você se torne cada vez mais uma necessidade, um sem limite aqui dentro e que vá tomando conta arrastando destruindo levando o que resta. e que quando você me abraça eu sinto que poderia parar o mundo ali porque ele cura tudo. é um abraço que encaixa certinho, meu queixo sobre seu ombro, meus braços que te agarram, os teus que me abraçam nas curvas e meu peito que encosta no seu e se acalma. baby e quando você me elogia você sabe que eu fico feliz mas não sabe que na maioria das vezes eu penso o quanto isso é recíproco, o quanto todos os elogios cabem em você também. e me odeio porque minha boca só se abre pra sorrir mas não serve pra te dizer o quanto são importante todos os momentos, embora sejam poucos, que já estivemos juntos. e que você não é nenhum galã de cinema, se acha mais inteligente que todo mundo, é chato, me obriga a fazer coisas que eu não quero e reclama de tudo, mas que mesmo assim eu gosto do jeito que você sorri e fecha os olhos quando eu coloco as mãos nos seus cabelos, e até a forma como você tenta ser cavalheiro e me paga um churros ou suco de fruta de verdade. o negócio se complica aqui porque normalmente eu não aturaria defeitos, normalmente eu começo a gostar e depois de um tempo eu vejo os defeitos e começo a odiar. em você eu vi os defeitos e depois as coisas boas e depois ficou tudo tão harmonioso e fácil de conviver que começou a dar medo.

eu odeio muito a forma como você parece ser indiferente às coisas que acontecem comigo ao mesmo tempo que diz que se importa com tudo. mas quer saber eu também nem me importo porque começo a nem pensar mais no que pode acontecer comigo e sim no que pode estar havendo com você. porque eu sei que existem pessoas meio que atrapalhando e que você também pode estar sentindo um pouco de medo. mas porque diabos eu me preocupo com isso, já que eu falei pra gente ir levando de uma maneira leve? é isso que é inexplicável, baby, que ocorre sem que eu pense antes ou me auto censure para não falar ou agir. é como o ciúmes que ocorre sem que a gente queira, e que vem ocorrendo com freqüência, sabe. é que parece que com você o negócio já tomou proporções tão grandes – e boas – que não tem como te sentir sem levar certas coisas a sério.

mas vamos supor que isso nem seja importante, que apenas eu esteja levando a sério sem querer, que apenas eu perca um pedaço da minha vida pra escrever sobre algo que nem bem começou. vamos supor que eu seja meio louca ou burra ou apaixonada. com todas essas coisas eu não consigo, ainda, dizer nem metade. é que uma parte de mim se segura pra não ser tão escancarada e se guarda. é que uma parte de mim tem medo – olha, outro! – de estar errada. vai que você nem é tudo isso, né. você quer saber a primeira impressão que eu tive de ti? eu lembro da gente e mais um pessoal conversando e você dizendo que o carnaval seria muito legal, que você ia pra uma cidade pequena e que uma guria te esperava lá. eu pensei “mais um no meio dos 6,8 bilhões”. mas daí você veio como quem não queria nada, voltou do carnaval me olhando diferente – eu sei que no início você me achava uma chata, uma metida à culta mas eu nem sou. eu sou bem burra. enfim, você veio diferente, a gente começou a se olhar diferente, a falar diferente. daí nós saímos e conversamos e você nem era mais um no meio dos bilhões. você era mais um no meio dos raros que eu presto atenção.
mas vai que eu tô errada de novo, né? já errei tantas vezes.

eu gosto da tua boca.

Andressa Rodrigues

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A lei caga de trazer parentes

Acho que os políticos confundiram transparência com traz parente.

Jô Soares, em seu programa de ontem, dia 08/07

O nome de Agaciel Maia, ao contrário fica Lei Caga.

José Simão

Só fazendo piada mesmo pra disseminar a roubalheira né galerinha.

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don’t worry american beauty

jenie

“I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn’t a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time. For me, it was lying on my back at Boy Scout camp, watching falling stars; and yellow leaves, from the maple trees, that lined my street; or my grandmother’s hands, and the way her skin seemed like paper; and the first time I saw my cousin Tony’s brand new Firebird; and Janie… and Janie; and… Carolyn.
I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it’s hard to stay mad, when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once, and it’s too much, my heart fills up like a balloon that’s about to burst and then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life. You have no idea what I’m talking about, I’m sure. But don’t worry… You will someday.

- American Beauty

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Já dizia Madonna…

Borderline, feels like I’m going to lose my mind

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Quando escrever te leva além

I don’t consider writing a quiet, closet act.
I consider it a real physical act.
When I’m home writing on the typewriter, I go crazy.
I move like a monkey.
I’ve wet myself, I’ve come in my pants writing.

by Patty Smith

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